Ao final de abril, o mercado financeiro no Brasil apresentou forte otimismo, motivado principalmente pelo ambiente internacional e pelo comunicado considerado rígido emitido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Essa conjuntura impulsionou a desvalorização do dólar, que terminou o mês no menor valor dos últimos dois anos.
A valorização do mercado de ações brasileiro ocorreu após o índice Ibovespa acumular seis sessões consecutivas de baixa. Esse movimento de recuperação foi acompanhado por um aumento no apetite por risco dos investidores globais, o que beneficiou economias emergentes, entre elas o Brasil.
A entrada de capital estrangeiro foi favorecida por esse contexto, levando investidores a se desfazerem de dólares e transferirem recursos para ativos nacionais, como as ações negociadas na bolsa. O dólar comercial terminou o pregão da quinta-feira, 30 de abril, cotado a quatro reais e noventa e cinco centavos, recuo de quatro centavos e noventa e nove centavos, o que corresponde a uma queda de zero vírgula noventa e nove por cento. Este patamar só havia sido registrado anteriormente em sete de março de 2024.
No acumulado de abril, a moeda dos Estados Unidos teve desvalorização de quatro vírgula trinta e oito por cento frente ao real. Considerando o desempenho desde o início do ano, a queda chega a nove vírgula setenta e sete por cento, colocando o real brasileiro entre as moedas com melhores resultados no período.
Esse quadro reflete, em grande parte, a perda do fortalecimento global do dólar observada também em outros mercados, somada à mudança de direcionamento de investimentos para países que oferecem taxas de juros mais elevadas.
Apesar de o Banco Central do Brasil ter iniciado uma série de reduções da taxa básica de juros, a Selic, ela se mantém em um nível considerado alto. Na quarta-feira, 29 de abril, ocorreu o corte para quatorze vírgula cinquenta por cento ao ano, acompanhado de um comunicado que sugere cautela nas próximas decisões, em razão dos riscos associados à inflação.
No cenário internacional, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve os juros no intervalo entre três vírgula cinquenta por cento e três vírgula setenta e cinco por cento, o que ampliou o diferencial de taxas entre Brasil e Estados Unidos. Esse diferencial é um elemento central para a valorização do real, pois torna os investimentos no Brasil mais atrativos para quem busca maior rendimento.
No mesmo dia, o euro comercial também sofreu depreciação, fechando cotado a cinco reais e oitenta e um centavos, representando queda de zero vírgula quarenta e oito por cento. Esta cotação é a mais baixa desde vinte e quatro de junho de 2024.
O pregão da quinta-feira ficou marcado pela reversão das perdas nos principais papéis negociados na bolsa. O índice Ibovespa fechou em cento e oitenta e sete mil, trezentos e dezoito pontos, avanço de um vírgula trinta e nove por cento em relação ao dia anterior.
Esse resultado foi influenciado tanto pela entrada de recursos estrangeiros quanto pela reavaliação das expectativas para a política monetária brasileira. A perspectiva de cortes mais graduais da Selic contribui para a percepção de maior estabilidade econômica, o que favorece o desempenho das ações.
Apesar da recuperação observada nesta quinta-feira, o Ibovespa encerrou o mês praticamente sem variação significativa, após atravessar uma sequência de quedas que anulou parte dos ganhos anteriores.
No âmbito nacional, investidores seguiram atentos a indicadores econômicos e a decisões políticas, embora o impacto desses fatores sobre os preços tenha sido limitado. Os dados divulgados referentes ao mercado de trabalho apontaram para uma economia resiliente, o que reforça a avaliação de que há pouco espaço para reduções mais agressivas nas taxas de juros no curto prazo.
O preço do petróleo continuou a ser um elemento determinante para o comportamento dos mercados internacionais. A commodity apresentou intensa volatilidade ao longo do dia, influenciada pelas tensões geopolíticas persistentes no Oriente Médio.
Durante o pregão, as cotações do petróleo chegaram a registrar altas expressivas, ultrapassando cento e vinte dólares por barril, mas perderam força no decorrer do dia.
O barril do tipo Brent, referência para a formação de preços da Petrobras, encerrou cotado a cento e dez dólares e quarenta centavos, sem variação relevante. Já o barril WTI, utilizado nas negociações nos Estados Unidos, ficou em cento e cinco dólares e sete centavos, apresentando recuo de um vírgula sessenta e nove por cento.
Essas variações refletem a instabilidade associada ao fornecimento global da commodity, especialmente diante das tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições de navegação no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas para o transporte de petróleo no mundo. Apesar das quedas pontuais, os preços do petróleo permanecem elevados, pressionando a inflação mundial e impactando decisões de política monetária em diferentes países.
Informações da Reuters foram utilizadas nesta reportagem.