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Lula: Pobres não devem pagar por guerras irresponsáveis

Presidente defende multilateralismo e critica conflitos armados e a atuação das plataformas digitais durante fórum em Barcelona.

18/04/2026 às 16:43
Por: Redação

Durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, realizada em Barcelona, Espanha, no sábado (18) pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso veemente. Nele, o chefe de Estado brasileiro condenou os conflitos bélicos atuais e enfatizou a necessidade de fortalecer o multilateralismo global.

 

Lula está em visita à Europa, com compromissos agendados em três nações. Em sua fala, o presidente ressaltou que os impactos mais severos das guerras recaem desproporcionalmente sobre a parcela mais vulnerável da população.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou.

 

O presidente brasileiro sublinhou que as nações enfrentam desafios prementes e que o cenário mundial não demanda mais conflitos.

 

"Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19", continuou.

 

O líder brasileiro pontuou que o panorama global atual registra o maior número de embates militares desde a Segunda Guerra Mundial, urgindo por uma atuação conjunta e eficaz da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", afirmou.

 

O presidente teceu críticas a diversos conflitos armados que se desenrolam atualmente, mencionando especificamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, a devastação na Faixa de Gaza por Israel e a confrontação dos Estados Unidos com o Irã na região do Oriente Médio.

 

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento.Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", prosseguiu Lula.

 

Lula expressou seu pesar pelo silêncio das nações diante dos conflitos. Ele enfatizou que a vitalidade democrática da ONU está diretamente ligada à participação ativa de seus membros.

 

"Fortalecer o multilateralismo depende de nós".

 

Apelo por Regulação Global de Plataformas Digitais

 

Em continuidade ao seu pronunciamento, Lula também abordou o impacto das plataformas digitais. Ele criticou o papel dessas ferramentas na desestabilização política de diversas nações e solicitou que a Organização das Nações Unidas assuma a liderança na articulação de diretrizes e regras comuns a serem adotadas internacionalmente.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", afirmou.

 

O presidente reiterou sua demanda por ações efetivas da ONU também no que concerne à questão das plataformas.

 

"Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", completou Lula.

 

O Fórum Democracia Sempre, uma iniciativa estabelecida em 2024, congrega os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. A edição de Barcelona do evento, organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, contou com a presença de diversos líderes. Entre os participantes estavam os presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Claudia Sheinbaum (México), além do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

 

Próximos Compromissos na Europa

 

Concluindo sua participação na Espanha, o presidente Lula seguirá viagem para a Alemanha no domingo (19). Lá, ele participará da Hannover Messe, reconhecida como a maior feira global de inovação e tecnologia industrial, que neste ano dedica uma homenagem ao Brasil. Durante sua estadia na Alemanha, o presidente também tem agendado um encontro com o chanceler Friedrich Merz.

 

A jornada europeia do presidente será finalizada no dia 21 com uma breve visita de Estado a Portugal. Na capital, Lisboa, Lula tem previstos encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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