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CMN veta apostas não financeiras em plataformas de previsões no Brasil

Proibição restringe plataformas de previsões a contratos financeiros; novas normas valem a partir de 4 de maio

24/04/2026 às 20:01
Por: Redação

A partir do início de maio, plataformas de previsões no Brasil não poderão mais oferecer apostas relacionadas a áreas como esportes, política, entretenimento, eventos culturais ou sociais. A determinação foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que buscou fechar lacunas regulatórias e estabelecer parâmetros concretos para o funcionamento desse tipo de atividade.

 

Com a nova orientação, permanecem autorizados somente contratos vinculados a temas de natureza econômica e financeira, como inflação, variação de juros, câmbio, petróleo ou outras commodities negociadas internacionalmente.

 

Regras detalhadas para os mercados preditivos

O funcionamento dos chamados mercados preditivos, conhecidos por operar como "bolsas de apostas" sobre desfechos futuros, está agora limitado. Nesses ambientes, os participantes compram e vendem contratos baseados em perguntas objetivas, como "O evento X ocorrerá ou não?". O resultado determina se o apostador recebe ou não retorno financeiro.

 

Essas plataformas se diferenciam das apostas tradicionais (as chamadas bets) em três aspectos cruciais: nas bets, as regras e o pagamento dos prêmios são definidos pela empresa operadora; nos mercados de previsões, os contratos são negociados livremente entre os usuários; além disso, os contratos desses mercados são classificados como derivativos, ou seja, investimentos cujo valor depende de eventos futuros.

 

Proibições e restrições em vigor

Com a resolução aprovada pelo CMN, passa a ser vedada a negociação de contratos que envolvam:

 

  • Resultados de partidas esportivas;
  • Desfechos eleitorais ou temas ligados à política;
  • Programas de entretenimento como reality shows;
  • Eventos culturais ou sociais.

 

A restrição se estende também a plataformas estrangeiras que disponibilizem esses tipos de apostas para pessoas residentes no Brasil. Com isso, boa parte das operações que atraíam grande volume de usuários nessas plataformas será suspensa no território nacional.

 

Atividades que continuam permitidas

Apesar das novas limitações, permanece liberada a negociação de contratos lastreados em variáveis econômicas, como:

 

  • Taxa de juros;
  • Inflação;
  • Cotação do câmbio;
  • Preços internacionais de petróleo e demais commodities.

 

Nessas situações, a supervisão regulatória continuará a cargo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por fiscalizar o mercado financeiro nacional.

 

Motivações para a decisão oficial

De acordo com o entendimento adotado pelo governo, as apostas vinculadas a eventos que não sejam de natureza financeira passaram a ser consideradas equivalentes a jogos de azar, e não a investimentos. Por esse motivo, essas atividades só poderão ocorrer em plataformas de apostas tradicionais (bets), que estão sujeitas à obtenção de licença junto ao Ministério da Fazenda, ao pagamento de taxas específicas e à adoção de mecanismos de proteção ao apostador.

 

O governo avaliou que, sem tais exigências, as plataformas de mercado preditivo representavam concorrência desleal em relação às bets devidamente regulamentadas.

 

Impactos para empresas e supervisão do setor

Com a implementação da medida, haverá uma forte redução no espaço de atuação das empresas focadas em mercados preditivos, inclusive aquelas de origem internacional que ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.

 

Segundo as autoridades, essa iniciativa visa não apenas evitar riscos para investidores e restringir práticas especulativas, mas também organizar um segmento que vinha crescendo de maneira desordenada, sem orientações normativas claras.

 

A fiscalização do cumprimento das regras ficará sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que também definirá normas complementares para o setor.

 

Entrada em vigor das restrições

O novo conjunto de regras estabelecido pelo CMN passa a valer a partir de 4 de maio. A medida integra um movimento mais amplo do governo federal para disciplinar o mercado de apostas e os instrumentos financeiros disponíveis no país.

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