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Conferência internacional discute segurança na transição energética

Santa Marta reúne mais de 60 países e COP30 aponta guerra no Irã como alerta para dependência do petróleo

24/04/2026 às 20:02
Por: Redação

A cidade de Santa Marta, na Colômbia, recebe a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que teve início nesta sexta-feira, 24. O evento reúne representantes de mais de 60 nações comprometidas em reduzir a produção, o consumo e a dependência de petróleo.

 

Os debates promovidos na conferência visam embasar a elaboração do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, documento que está sendo desenvolvido sob a liderança da presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

 

Antes de embarcar para Santa Marta, a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, concedeu entrevista exclusiva, detalhando o papel do Brasil na construção do documento e destacando a relevância da reunião internacional diante do atual cenário de guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e da instabilidade nos preços do petróleo.

 

Toni chamou atenção para o fato de que o conflito no Irã e as oscilações do petróleo evidenciam os desafios causados pela dependência de combustíveis fósseis, reforçando a urgência da transição energética.

 

Infelizmente, a guerra contra o Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, mostra que caminhar para longe dos combustíveis fósseis, dessa dependência que temos, é absolutamente necessário. Não só por questões climáticas, mas por questões econômicas, energéticas e de segurança.

 

Segundo Ana Toni, não havia previsão desse cenário de conflito quando o Mapa do Caminho começou a ser elaborado, mas a conjuntura transformou o documento em uma referência para debater e reavaliar a segurança energética e econômica, além da dependência mundial em relação aos combustíveis fósseis.

 

O texto do Mapa do Caminho está previsto para ser concluído em novembro e objetiva orientar países sobre estratégias para a transição energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa, reconhecidos como principais causadores das mudanças climáticas.

 

Participação brasileira e escuta global

A presidência da COP30, conforme explicou Ana Toni, tem como meta principal ouvir diversas vozes na conferência de Santa Marta, absorvendo demandas de países, sociedade civil e grupos indígenas. A intenção é incorporar as contribuições recebidas no processo de formulação do Mapa do Caminho, já iniciado a partir de reivindicações apresentadas durante a COP30.

 

Ela ressaltou a importância do evento na Colômbia, organizado conjuntamente com os Países Baixos, como espaço vital para aprofundar discussões e ajustar o documento brasileiro às necessidades detectadas durante os debates.

 

Debates sobre implementação e diversidade de caminhos

O compromisso de abandonar progressivamente os combustíveis fósseis, segundo Toni, já foi firmado na COP28, realizada em Dubai. Agora, os debates se concentram na implementação dessa decisão, buscando definir etapas, prioridades e sequências de ações específicas para cada país.

 

A diretora-executiva enfatizou que ouvir os setores da sociedade civil, povos indígenas e representantes governamentais é fundamental para determinar os próximos passos, uma vez que a transição energética pode assumir diferentes formatos em distintas regiões do planeta. Em alguns contextos, por exemplo, a aposta pode ser na eletrificação, enquanto em outros, combustíveis sustentáveis podem ser a solução mais viável.

 

Significado da conferência e amplitude dos participantes

Segundo Ana Toni, três em cada quatro pessoas no mundo vivem em países que dependem da importação de combustíveis fósseis. Dessa forma, o interesse demonstrado por mais de 60 países na conferência de Santa Marta é altamente representativo para a causa, pois tanto produtores como consumidores precisam trabalhar juntos para romper a dependência global dos combustíveis fósseis.

 

Ela citou como exemplo a Etiópia, que, sendo um país consumidor, optou por não importar mais veículos a combustão, destacando a necessidade de avaliar a dependência econômica além da energética.

 

A elaboração do Mapa do Caminho também contou com mais de 250 contribuições formais de países e entidades não governamentais, evidenciando a demanda global por orientações sobre os próximos passos na transição energética. Segundo Toni, a conferência em Santa Marta será um dos principais fóruns para avançar nesse propósito.

 

Desafios na elaboração do Mapa do Caminho

O prazo para envio de contribuições ao documento orientador se encerrou em 10 de abril. Ana Toni relatou que a principal dificuldade agora é analisar e priorizar a grande quantidade de informações recebidas, considerando as realidades de cada país envolvido.

 

Ela explicou que o Mapa do Caminho terá capítulos voltados para diferentes perspectivas: o primeiro aborda os riscos da não realização da transição, incluindo riscos ambientais, naturais, políticos e de segurança. O segundo capítulo foca nos desafios enfrentados por países e empresas produtores de combustíveis fósseis, além de analisar a situação dos consumidores, contemplando setores como o elétrico, de transportes e indústria. Esse segmento propõe estratégias para que cada setor possa aproveitar oportunidades e acelerar a transição.

 

Uma terceira parte do documento explora a dependência econômica dos países em relação aos combustíveis fósseis, destacando as diferenças entre contextos nacionais e subnacionais, como o caso de prefeituras, que enfrentam desafios econômicos além dos energéticos.

 

O último capítulo do Mapa do Caminho será dedicado à apresentação das recomendações brasileiras para o mundo, com validade não apenas para a COP31, mas também para processos futuros.

 

Busca por uma transição justa e planejada

Na avaliação de Ana Toni, a transição já está em andamento, embora atualmente o mundo avance simultaneamente em duas frentes: de um lado, há investimentos em renováveis, armazenamento de energia e eficiência; de outro, persiste o avanço dos combustíveis fósseis.

 

Ela afirmou que o objetivo central agora é reduzir o ritmo de expansão dos combustíveis fósseis, processo que já teve início. Toni defende que a mudança deve ser realizada de forma justa, pois, sem esse enfoque, ela considera inviável a concretização da transição energética.

 

A diretora-executiva demonstrou otimismo e destacou que a continuidade dos debates políticos é fundamental para a tomada de decisões corretas. Ela ainda ressaltou que haverá novas oportunidades de amadurecimento das discussões nas próximas conferências globais, como a COP31, COP32 e no segundo Balanço Global, permitindo identificar o que tem funcionado e definir medidas que possam ser aceleradas nos próximos ciclos.

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