O governo federal apresentou nesta segunda-feira, dia 27, em Andradina, interior de São Paulo, uma nova destinação de recursos ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Leite (Pronaf Mais Leite), autorizando a liberação de 450 milhões de reais em crédito rural subsidiado para apoiar a pecuária leiteira familiar.
O Pronaf Mais Leite foi desenvolvido para oferecer uma linha de crédito exclusiva para produtores familiares que desejam ampliar a produtividade das atividades de pecuária leiteira. O foco principal do programa é viabilizar investimentos em melhoramento genético do rebanho, priorizando técnicas de transferência de embriões, assim como financiar infraestrutura, aquisição de ordenhadeiras e tanques de resfriamento, com a meta de elevar a produção individual de leite.
Segundo estimativas divulgadas, o programa prevê a possibilidade de financiar até 300 mil embriões, com o intuito de elevar a produção média de leite por animal, saindo do patamar de três a oito litros diários para níveis entre quinze e trinta litros por dia.
Ao todo, aproximadamente 40 mil produtores familiares devem ser contemplados com os recursos, permitindo a aquisição de matrizes bovinas de alto valor genético, sêmen, óvulos, embriões, contratação de serviços de inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV), compra de ordenhadeiras e tanques de resfriamento. Também será possível investir em manejo, alimentação e infraestrutura para aprimorar a capacidade produtiva das propriedades.
Para acessar a linha de crédito, os produtores interessados precisam estar com o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo. É necessário buscar atendimento junto a agentes financeiros habilitados — Banco do Brasil, Sicredi, Cresol, Sicoob ou Banrisul — e apresentar um projeto técnico detalhando a viabilidade do investimento pretendido.
A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) integrará o programa, oferecendo suporte técnico e orientação aos produtores familiares durante todo o processo.
O pacote de medidas inclui ainda linhas de crédito específicas para cooperativas da agricultura familiar, oferecendo taxa de juros de três por cento ao ano. Já para cooperativas de leite não enquadradas na categoria de agricultura familiar, o financiamento acontece por meio do Programa Renovagro, aplicando taxa de juros de oito vírgula cinco por cento ao ano.
Atualmente, há no Brasil 1,150 milhão de famílias envolvidas com a produção de leite, das quais 950 mil pertencem à agricultura familiar. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou que a cadeia produtiva do leite é composta, majoritariamente, por pequenas propriedades rurais, assentamentos da reforma agrária e produtores familiares. Segundo ela, são esses grupos que garantem não apenas a produção de leite no país, mas também a diversidade de derivados que compõem a alimentação e promovem a nutrição da população.
“No país são 1,150 milhão de famílias que vivem da produção de leite no Brasil. Dessas, 950 mil são famílias da agricultura familiar. O leite é uma cadeia que é constituída majoritariamente nas pequenas propriedades, nos assentamentos da reforma agrária, nas propriedades da agricultura familiar. São eles que garantem a produção de leite que se transforma na diversidade de produtos que alimenta e leva nutrição”, disse a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.
Durante o anúncio, a ministra informou ainda sobre o direcionamento de 15 milhões de reais destinados à implantação da primeira fábrica de leite em pó formada por cooperados no estado de São Paulo. O objetivo é ampliar a produção e incrementar a renda dos produtores participantes. Além disso, o governo federal irá investir 28 milhões de reais em assistência técnica e extensão rural para produtores, com o intuito de fomentar o aumento da produção leiteira.
Outra iniciativa mencionada foi a inclusão de novas áreas no Programa Terra da Gente: o governo promoverá a desapropriação de dois territórios, sendo um no Sítio Boa Vista, em Americana, interior paulista, e outro na Fazenda Caraúbas, localizada em Santa Quitéria, no Ceará.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também participou da cerimônia, ressaltando o papel estratégico da agroindústria e do cooperativismo na valorização da produção agrícola nacional.
“Temos que ter a agroindústria, pegar o produto da terra e fazer manufatura. Aqui ficam duas lições sobre a importância do associativismo: quando a gente sonha sozinho é só um sonho, mas quando a gente sonha junto é o início de uma nova realidade. A outra é o cooperativismo, quanto mais abelha mais mel”, disse Alckmin.