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Anvisa firma acordo para uso seguro de canetas emagrecedoras

Documento prevê ações de orientação, fiscalização e criação de grupos de trabalho para evitar riscos sanitários.

16/04/2026 às 18:42
Por: Redação

Anvisa, Conselho Federal de Medicina, Conselho Federal de Odontologia e Conselho Federal de Farmácia firmaram uma carta de intenção com o objetivo de assegurar o uso responsável dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.

 

O documento formaliza um compromisso entre as instituições para evitar riscos sanitários decorrentes de práticas inadequadas, visando à proteção da saúde pública no país. A proposta envolve ações conjuntas como o intercâmbio de informações, alinhamento técnico entre as entidades e iniciativas educativas voltadas à sociedade e aos profissionais da área da saúde.

 

De acordo com a Anvisa, a preocupação central está relacionada ao crescimento do uso destes medicamentos, originalmente destinados ao tratamento de doenças crônicas como diabetes e obesidade, que passaram a ser adotados em múltiplos contextos clínicos.

 

A carta alerta que a ampliação do acesso e da demanda por canetas emagrecedoras está atrelada ao surgimento de irregularidades em diversas etapas, incluindo importação, manipulação, prescrição e distribuição desses medicamentos, aumentando o risco de exposição dos pacientes a situações evitáveis.

 

Plano de combate a irregularidades

 

O acordo faz parte de um plano mais amplo anunciado recentemente pela Anvisa para enfrentar problemas na importação e manipulação de canetas emagrecedoras. Entre as ações previstas estão o estímulo à prescrição criteriosa desses medicamentos, o reforço na comunicação de eventos adversos e o desenvolvimento de campanhas de orientação destinadas tanto aos profissionais quanto ao público em geral.

 

"O documento destaca a preocupação das instituições com a ampliação do uso de medicamentos originalmente indicados para o tratamento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, que vêm ganhando popularidade em diferentes contextos clínicos", ressaltou a Anvisa.


 

Estruturação de grupos para monitoramento

 

Está prevista para esta semana a publicação de portarias que oficializam a criação de grupos de trabalho dedicados ao tema. Um desses grupos terá caráter consultivo e atuará como instância estratégica para governança do plano, acompanhando sua execução. Outro grupo será composto por membros dos conselhos federais, com foco em promover debates aprofundados sobre o uso dos medicamentos em questão.

 

Ações de fiscalização e apreensão

 

Recentemente, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, fabricados por empresa não identificada. A agência também proibiu a venda, distribuição, importação e uso desses produtos.

 

"Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa", informou a agência.


 

Em nota, a Anvisa ressaltou que se tratam de itens de procedência desconhecida e irregulares, para os quais não há garantia de conteúdo ou de qualidade, e que, portanto, não devem ser utilizados em hipótese alguma.

 

Operação de combate ao contrabando

 

Também durante a semana, uma operação realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai na região de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, transportando canetas emagrecedoras e anabolizantes de forma ilegal.

 

O veículo vinha sendo vigiado sob suspeita de transportar mercadorias ilícitas. Na abordagem, 42 passageiros estavam presentes e foram levados à Cidade da Polícia para averiguação. Um casal, que havia embarcado em Foz do Iguaçu, Paraná, foi detido em flagrante com diversos produtos de origem paraguaia que estavam sendo comercializados ilegalmente, entre eles anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras contendo tirzepatida.

 

Alerta sobre riscos de pancreatite

 

Em fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o uso inadequado das canetas emagrecedoras, contemplando os medicamentos dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A agência destacou que, embora os riscos estejam previstos nas bulas aprovadas no Brasil, o número de notificações nacionais e internacionais aumentou, demandando reforço das recomendações de segurança.

 

"Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado."


 

A necessidade de monitoramento médico, segundo a agência, se deve ao risco potencial de eventos adversos graves relacionados ao uso dessas substâncias, incluindo pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e fatais.

 

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