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Casos de síndrome respiratória grave disparam entre bebês de até 2 anos

Fundação Oswaldo Cruz aponta avanço de hospitalizações por vírus sincicial respiratório em crianças pequenas

16/04/2026 às 20:59
Por: Redação

Em quatro das cinco regiões do Brasil — Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste — foi registrado um crescimento expressivo no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre crianças de até 2 anos. O Boletim InfoGripe, publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 16 de abril, aponta que a principal causa do aumento de internações nessa faixa etária é o avanço das infecções pelo vírus sincicial respiratório (VSR).

 

O levantamento, que toma como base a Semana Epidemiológica 14 (de 5 a 11 de abril), indica ainda que as hospitalizações graves por covid-19 continuam apresentando queda no país, segundo os dados mais recentes.

 

Especialistas da Fiocruz, como a pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, ressaltam que o VSR figura entre os principais agentes causadores de internações por SRAG em crianças pequenas e é uma das maiores origens de casos de bronquiolite nesse grupo.

 

"Por isso, ela considera essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida."

 

Com o avanço de internações por influenza A em vários estados, a pesquisadora recomenda que todos os integrantes dos grupos prioritários que ainda não receberam a vacina procurem uma unidade de saúde o mais breve possível para a aplicação da dose anual.

 

Estados e capitais com maior incidência

 

Em relação à evolução nacional da SRAG, o boletim mostra que os índices permanecem estáveis tanto em curto quanto em longo prazo. No entanto, 14 estados permanecem em situação de alerta, risco ou alto risco de incidência de SRAG nas últimas duas semanas, mantendo sinal de aumento na tendência de longo prazo até a Semana Epidemiológica 14.

 

Os estados listados são Acre, Pará e Tocantins (região Norte); Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Nordeste); Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás (Centro-Oeste); além de Minas Gerais e Rio de Janeiro (Sudeste).

 

O aumento dos casos relacionados ao VSR foi identificado em todos os estados do Centro-Oeste e Sudeste, além de Acre, Pará, Tocantins e Roraima (Norte) e Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (Nordeste).

 

No que se refere à influenza A, observa-se crescimento das ocorrências em boa parte do Centro-Sul do país, incluindo Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Também há registros de aumento em estados do Nordeste, como Paraíba, Alagoas e Sergipe, e do Norte, como Amapá, Acre e Rondônia.

 

Em contrapartida, a incidência de SRAG relacionada à influenza A segue diminuindo nos estados do Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco (Nordeste), assim como no Pará e Rio de Janeiro.

 

Ainda segundo o boletim, o cenário nacional mostra que a SRAG associada ao rinovírus está em fase de estabilização ou redução na maioria das regiões, embora o crescimento persista nos estados do Pará e Mato Grosso.

 

No âmbito das capitais, 14 delas apresentam níveis de incidência de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco, com tendência de elevação nas últimas seis semanas até o período analisado. São elas: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

 

Impacto por faixa etária e panorama epidemiológico

 

Nas oito semanas epidemiológicas recentes, tanto a incidência quanto a mortalidade médias semanais seguiram o padrão habitual de maior impacto nos extremos das faixas etárias.

 

Entre crianças pequenas, especialmente aquelas até 4 anos, a incidência da SRAG é superior e tem relação principalmente com o VSR e o rinovírus. Já entre idosos, os índices de mortalidade permanecem elevados, com predominância de casos fatais por influenza A e covid-19.

 

No recorte específico dos quadros graves por influenza A, a faixa de até 4 anos e a população idosa são as mais impactadas. A mortalidade, contudo, atinge seu ápice entre pessoas a partir de 65 anos.

 

Durante o ano epidemiológico de 2026, já foram contabilizados 37.244 casos de SRAG, dos quais 15.816 (42,5%) apresentaram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 14.723 (39,5%) tiveram resultado negativo e ao menos 3.990 (10,7%) seguem aguardando resultado laboratorial.

 

Entre os casos positivos notificados neste ano, a distribuição dos vírus é a seguinte: rinovírus (41,1%), influenza A (25,5%), VSR (17,4%), Sars-CoV-2 (covid-19) (10,2%) e influenza B (1,7%).

 

Considerando apenas as últimas quatro semanas epidemiológicas, a proporção dos agentes entre os casos positivos ficou em 33% para rinovírus, 32,2% para influenza A, 26,3% para VSR, 5,5% para Sars-CoV-2 (covid-19) e 2,4% para influenza B.

 

Com relação aos óbitos registrados nesse mesmo período, a presença dos vírus entre os resultados positivos se distribuiu da seguinte forma: influenza A (40,8%), rinovírus (26,9%), Sars-CoV-2 (covid-19) (23,3%), VSR (5,3%) e influenza B (4,1%).

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