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PF aponta pagamento de propina de 146 milhões de reais a ex-presidente do BRB

Ex-presidente do BRB e advogado são presos por suspeita de esquema envolvendo imóveis e compra de carteiras de crédito falsas.

16/04/2026 às 18:42
Por: Redação

A Polícia Federal identificou um acordo entre Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o pagamento de propina no valor de 146,5 milhões de reais. As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa, ocorrida nesta terça-feira (16) durante a quarta fase da Operação Compliance.

 

Segundo as investigações, a propina seria paga por meio de quatro imóveis de alto padrão localizados em São Paulo e outros dois imóveis situados em Brasília. Até o momento, a Polícia Federal já conseguiu rastrear pagamentos que somam ao menos 74 milhões de reais.

 

O restante dos valores não foi entregue, pois Vorcaro suspendeu as transferências depois de descobrir a existência de um procedimento investigativo conduzido pela Polícia Federal especificamente sobre os pagamentos a Costa. De acordo com os investigadores, o banqueiro interrompeu os repasses ao tomar conhecimento desse procedimento, que era sigiloso.

 

As apurações da Polícia Federal também apontam que em 24 de junho de 2025, Daniel Vorcaro teria recebido de Felipe Mourão, seu funcionário, uma cópia da investigação por meio do aplicativo WhatsApp.

 

Ainda que essa data seja posterior à suspensão dos pagamentos, ocorrida em maio, o ministro André Mendonça considerou a versão apresentada pela Polícia Federal. Segundo Mendonça, "o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias".

 

Além de Paulo Henrique Costa, a operação resultou na prisão preventiva de Daniel Monteiro, advogado apontado como testa de ferro de Costa e que teria recebido pessoalmente 86,1 milhões de reais como parte das vantagens ilícitas.

 

Na decisão que determinou as prisões preventivas, o ministro André Mendonça elencou motivos como a continuidade dos atos de ocultação de patrimônio, o risco de interferência na produção das provas, a possibilidade de reativação do esquema financeiro e jurídico, além da necessidade de proteção da ordem pública, da ordem econômica e de garantir a efetividade do processo penal.

 

Como contrapartida pelos pagamentos ilícitos, Paulo Henrique Costa teria se comprometido a utilizar recursos do BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, para adquirir carteiras de crédito falsas do Banco Master.

 

Até o momento, já está confirmado que pelo menos 12,2 bilhões de reais em carteiras de crédito consideradas ruins foram adquiridas, embora o BRB ainda não tenha informado o número exato dessas operações, que pode ser superior ao valor identificado.

 

Desde o início da Operação Compliance Zero, o objetivo dos investigadores tem sido apurar a existência de um esquema ilícito montado para fabricar, vender e transferir carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB.

 

Argumentos da defesa

 

Em frente à residência onde ocorreu a prisão de Paulo Henrique Costa, o advogado Cleber Lopes declarou que a defesa "não considera essa hipótese como válida", referindo-se à suspeita de recebimento de propina.

 

"A defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para aplicação da lei penal. Não há notícia de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal"

 

O defensor ainda afirmou que não há indícios de que Paulo Henrique Costa tenha realizado qualquer ato que pudesse prejudicar as investigações criminais.

 

Matéria alterada às 11h47 para acrescentar declaração da defesa de Paulo Henrique Costa

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