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Ataque no Líbano mata família de brasileiros durante bombardeio israelense

Família com brasileiros buscava estabilidade no Líbano e foi atingida em casa por bombardeio israelense; caso evidencia rotina de violência enfrentada por civis.

29/04/2026 às 00:07
Por: Redação

Uma família formada por brasileiros e libanês foi vitimada por um ataque ocorrido no último domingo, 26, no sul do Líbano. Manal Jaafar, de nacionalidade brasileira, estava acompanhada do marido, Ghassan Nader, libanês, e de seus dois filhos, ambos brasileiros, quando a residência em que se encontravam foi alvo de bombardeio realizado por forças israelenses. O casal e um dos filhos, de 11 anos, perderam a vida no ataque, enquanto o outro filho sobreviveu e precisou ser hospitalizado.

 

Manal e Ghassan haviam retornado ao Líbano após viverem 12 anos no Brasil, buscando melhores condições de vida e estabilidade para a família. Ghassan, segundo relatos, pretendia utilizar os recursos adquiridos durante o período em que trabalhou no comércio brasileiro para garantir tranquilidade à família e dedicar mais tempo à educação dos filhos e à convivência social.

 

A notícia do falecimento da família causou grande comoção entre integrantes da comunidade libanesa, tanto no Brasil quanto no exterior. O jornalista Ali Farhat, amigo de Ghassan Nader, descreveu o impacto da tragédia como reflexo da realidade enfrentada diariamente pelos habitantes da região em situação de conflito.

 

“A gente recebeu a notícia com muito sofrimento e muita tristeza. É essa notícia que a comunidade [libanesa] recebe todos os dias sobre familiares, parentes e amigos. O Líbano já perdeu mais de 2,5 mil vítimas. A grande maioria são civis, não tem nada a ver com essa guerra, não tem culpa nenhuma”, declarou Farhat.


 

Ali Farhat enfatizou que a maioria das vítimas nos bombardeios israelenses no Líbano é composta por civis. Segundo ele, não há locais protegidos no sul do país nem mesmo na capital, Beirute. Farhat classificou as ações como massacre, ressaltando o impacto sobre bens culturais, religiosos e civis da população libanesa.

 

“Israel está bombardeando a geografia do Líbano, a memória do Líbano, mesquitas, cemitérios, casas civis. Não tem nenhum ponto protegido no sul do Líbano, tampouco na capital Beirute. Israel está tentando praticar o genocídio parecido com o que praticou na Faixa de Gaza”, disse Farhat.


 

Ghassan e Manal integraram a comunidade libanesa de Foz do Iguaçu, no Paraná, onde criaram laços de amizade e eram conhecidos pela participação em eventos sociais e atividades culturais. Ghassan, empresário e ativista humanitário, era descrito como pessoa culta, com interesse em pesquisas e produção de artigos. Durante o período em que viveu no Brasil, de 1998 a 2010, chegou a escrever um livro sobre a crise da economia global e não possuía envolvimento com questões governamentais ou militares.

 

“O plano dele era fazer uma vida estável no Líbano, com a renda que ele tinha conseguido [trabalhando no comércio aqui no Brasil]. Ele queria cuidar mais da vida dele e da família dele, queria fazer algo bem leve para conseguir dar mais tempo para os estudos e para a vida social”, relatou Farhat, que reside há 25 anos no Brasil e mantém laços familiares com o Líbano.


 

A família de Manal chegou a abandonar a residência em função dos ataques recentes, mas decidiu retornar devido ao cessar-fogo estabelecido no local. O ataque fatal se deu no distrito de Bint Jeil, sul do Líbano, e foi confirmado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil na noite de segunda-feira, 27.

 

De acordo com informações do Ministério da Saúde do Líbano, a maioria das mortes provocadas pelos bombardeios israelenses atinge civis que permanecem em suas casas. O episódio envolvendo a família de Ghassan ilustra a situação de pessoas inocentes atingidas durante as ofensivas militares na região.

 

Melina Manasseh, integrante da comunidade libanesa no Brasil e da Federação Árabe da Palestina no Brasil, manifestou pesar diante da morte dos brasileiros, comparando a situação atual do Líbano com a ocupação vivenciada pela Palestina.

 

“Fiquei muito triste em saber que essa família com brasileiros foi ceifada, assim como tantas outras, dada a política bélica expansionista de Israel.”


 

Manasseh reforçou que não é a primeira vez que cidadãos brasileiros são mortos por forças de ocupação e lembrou que Israel permaneceu no sul do Líbano por 18 anos. Segundo sua avaliação, a natureza da ocupação militar no país atualmente se assemelha àquela vivenciada na Palestina, caracterizada por assentamentos.

 

“Não é a primeira vez que um brasileiro é morto pelas forças da ocupação. Israel nunca cumpriu uma única resolução da ONU quanto à Palestina e ocupou de forma militar o sul do Líbano por 18 anos. A ocupação militar não é a mesma que hoje se preconiza. Essa ocupação de hoje é a mesma que se dá na Palestina, ocupação de assentamento”, declarou Manasseh.


 

Mesmo diante da tragédia, a notícia da morte dos brasileiros não gerou grande mobilização na comunidade libanesa no Brasil. Manasseh comentou sobre a postura da diáspora libanesa, que, apesar de ser composta por aproximadamente nove milhões de descendentes no país, ainda carece de organização coletiva significativa.

 

Para ela, tanto os libaneses quanto os palestinos mantêm-se esperançosos de que o conflito será superado, mantendo uma postura otimista diante das adversidades.

 

De acordo com os relatos e dados oficiais apresentados, o bombardeio israelense no sul do Líbano não diferiu entre alvos civis e militares, atingindo indiscriminadamente cidades e residências. A situação da família de Manal e Ghassan exemplifica as consequências do conflito para a população civil, que permanece exposta aos riscos mesmo em busca de segurança e uma vida estável.

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