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IBGE programará censo inédito sobre população em situação de rua para 2028

Levantamento nacional ocorrerá em julho de 2028 e terá metodologia inédita construída em diálogo com a sociedade civil.

28/04/2026 às 23:09
Por: Redação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) definiu que irá promover, entre os dias 3 e 7 de julho de 2028, a primeira edição do Censo Nacional da População em Situação de Rua. As informações preliminares desse levantamento deverão ser disponibilizadas em dezembro do mesmo ano.

 

O anúncio foi realizado pelo IBGE nesta semana, durante eventos em Belém na segunda-feira, seguido por lançamento no Rio de Janeiro na terça-feira e, ainda, uma programação agendada para São Paulo na quinta-feira subsequente.

 

No Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua do Rio de Janeiro (CIPOP-RUA/RJ), o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, declarou que o método desenvolvido pela instituição poderá servir de referência internacional para pesquisas semelhantes.

 

De acordo com a avaliação de Marcio Pochmann, obter um retrato detalhado dessa parcela da população, incluindo características e histórico, será fundamental para nortear políticas públicas, com o objetivo de que no futuro não seja mais necessário realizar contagens dessa população desprovida de residência fixa.

 

Pochmann também relembrou que a cidade de São Paulo foi pioneira ao realizar, entre o fim da década de 1980 e o início da de 1990, uma experiência de contagem de pessoas vivendo em situação de rua. Em 1991, o levantamento identificou 3.393 pessoas nessa condição na capital paulista. O dado mais recente, de 2025, aponta que a quantidade subiu para 101 mil pessoas vivendo nas ruas da cidade.

 

Recurso financeiro e compromisso institucional

 

O presidente do IBGE destacou que o aumento expressivo da população sem moradia fixa deve ser considerado uma responsabilidade nacional, e não delegada apenas a administrações municipais ou estaduais, seguindo recomendação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Para garantir a execução do projeto, Pochmann defendeu que o orçamento necessário seja originado de recursos públicos federais, aprovados pelos parlamentares em Brasília, com garantia orçamentária específica para viabilizar a realização do censo.

 

Conforme declarou o presidente do IBGE, as verbas para custear o Censo Nacional da População em Situação de Rua estarão incluídas na proposta de orçamento que será encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional no mês de agosto.

 

Ainda segundo Pochmann, a realização do levantamento servirá para reparar uma dívida histórica do IBGE com essa parcela da população, permitindo que brasileiros até então invisíveis ganhem visibilidade estatística e social.

 

O IBGE informou que a concepção da pesquisa conta com participação de instituições e movimentos sociais, com adoção de uma metodologia própria, elaborada em diálogo permanente com a sociedade civil. O órgão entende esse censo como um marco importante na produção de estatísticas oficiais sobre a população em situação de rua.

 

Vozes da população de rua

 

Durante a cerimônia de lançamento no Rio de Janeiro, Igor Santos, que está atualmente em situação de rua, relatou que muitos indivíduos acabam vivendo nas ruas devido a circunstâncias adversas e não por escolha, ressaltando que frequentemente enfrentam olhares de menosprezo e discriminação.

 

"Muitas das vezes, somos discriminados, somos olhados com olhares de menosprezo. Então, eu vim aqui para poder pedir ajuda".

 

Já Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que deixou as ruas há quatro anos, afirmou que a preparação e execução da pesquisa terá impacto significativo na estrutura social do país.

 

Lino anunciou que pessoas com experiência de vida nas ruas serão contratadas para compor as equipes do censo, e que as 20 coordenações nacionais do movimento participarão ativamente para garantir precisão e legitimidade aos resultados obtidos.

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