Em um encontro realizado em Barcelona nesta sexta-feira, Brasil e Espanha celebraram a assinatura de acordos multilaterais voltados para a regulação de grandes empresas de tecnologia digital, conhecidas como big techs, além de iniciativas em setores como minerais estratégicos, tecnologia digital, combate à desigualdade social, enfrentamento a formas de discriminação e o combate ao crime organizado.
Durante a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Sánchez formalizaram documentos que expressam os alinhamentos dos dois países tanto no cenário internacional como na defesa dos direitos de suas populações.
Autoridades brasileiras e espanholas também participaram de encontros setoriais para concluir negociações específicas nos seguintes temas: cooperação em tecnologias da informação e telecomunicações, desenvolvimento de políticas públicas direcionadas a pequenas e médias empresas, intercâmbio cultural aliado à sustentabilidade, acordos para operações no setor de transportes aéreos e questões relacionadas à previdência social.
Lula destacou o papel da Espanha como um dos maiores investidores no Brasil ao longo das últimas décadas, especialmente nos setores de telecomunicações, finanças, energia e infraestrutura.
“As empresas espanholas arremataram 50 projetos no Programa de Parcerias e Investimentos brasileiro, somando mais de 10 bilhões de dólares em investimentos.”
O presidente Lula, que está realizando visitas a países europeus, ressaltou que tanto Brasil quanto Espanha compartilham preocupações relacionadas à necessidade de estabelecer normas para regulamentar a atuação global das big techs, empresas que concentram poder econômico, político e social em escala mundial.
Segundo ele, a falta de regras pode levar à criação de um “colonialismo digital”, situação em que essas organizações extraem e comercializam dados pessoais, transferindo poder para um pequeno grupo de bilionários.
“Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital”, declarou Lula, afirmando que essas empresas extraem e monetizam dados das pessoas, concentrando poder “nas mãos de um punhado de bilionários”.
Lula enfatizou o investimento conjunto dos dois países no fortalecimento de suas capacidades tecnológicas para assegurar a soberania digital, destacando o papel do Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona, da Espanha, e do Laboratório Nacional de Computação Científica, do Brasil, no fomento a projetos colaborativos em áreas como inteligência artificial.
O presidente também mencionou o compromisso firmado para cooperação em todas as etapas da cadeia produtiva de minerais estratégicos, com o objetivo de ampliar o conhecimento e agregar valor a esses setores.
“Assumimos o compromisso de cooperar em diferentes etapas da cadeia de minerais estratégicos, gerando conhecimento e agregando valor”, afirmou Lula.
Pedro Sánchez, presidente do governo espanhol, ressaltou que Brasil e Espanha têm papel de destaque como motores de aproximação entre a União Europeia e a América Latina e Caribe, regiões que, em sua análise, possuem valores convergentes.
De acordo com Sánchez, diante da fragmentação global observada atualmente, a cooperação entre os dois países assume relevância estratégica na política internacional.
“No âmbito do Mercosul, queremos transmitir uma mensagem totalmente diferente: de cooperação, de abertura, de confiança mútua e de prosperidade compartilhada.”
Sánchez também destacou o compromisso conjunto na promoção da paz, do multilateralismo e no avanço de políticas sociais direcionadas à redução das desigualdades.
Entre as iniciativas sociais pactuadas, destacou-se o enfrentamento à violência de gênero, o fortalecimento de ações para igualdade racial e o incentivo à economia solidária.
Colaborou Andréia Verdélio.