LogoPorto Velho Notícias

MIS exibe acervo inédito de Janis Joplin em mostra imersiva em São Paulo

Mostra no MIS reúne mais de 300 itens inéditos, cenografia imersiva e destaca fases da carreira da cantora

17/04/2026 às 15:19
Por: Redação

No mês de agosto de 1969, Dorothy escreveu uma carta a um destinatário não identificado, relatando o quanto era estranho para ela ver sua filha ser chamada de “rainha” ou “deusa”. Ela também expressou insatisfação pelo fato de a filha não lhe escrever mais, apenas ligar ocasionalmente.

 

Naquele mesmo período, a filha de Dorothy estava envolvida com compromissos relevantes. Em agosto de 1969, ela se apresentou em um dos festivais mais emblemáticos da história da música: Woodstock. Na ocasião, já era reconhecida mundialmente e considerada a “rainha do rock”, fato que ainda gerava surpresa para sua mãe.

 

Quase 57 anos após esse momento marcante, Janis Joplin, filha de Dorothy, será homenageada com uma exposição inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS), na cidade de São Paulo.

 

Com início nesta sexta-feira, dia 17, a exposição reúne mais de 300 itens, incluindo figurinos, acessórios, manuscritos, os característicos óculos da artista, uma estola de penas e outros objetos autênticos preservados pela família, jamais exibidos anteriormente ao público.

 

O responsável pela vinda do acervo de Janis ao MIS, Chris Flannery, relatou que o projeto foi possível após conhecer o administrador do espólio da cantora. Ele contou que três anos antes, o administrador havia visitado a exposição de B.B. King, organizada por Flannery no museu, e posteriormente enviou uma relação dos artefatos e diversas imagens do acervo de Janis Joplin.

 

“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”


 

Entre os objetos expostos, há vestimentas e desenhos produzidos pela cantora. Segundo Flannery, por meio dos escritos e ilustrações é possível descobrir um lado da artista pouco conhecido pelo público, evidenciando também sua veia artística além da música.

 

Os ingressos para a mostra custam 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Nas terças-feiras, exceto em feriados, a entrada é gratuita.

 

Ambientação imersiva e homenagens a grandes nomes do rock

 

Esta é a terceira exposição promovida pelo MIS dedicada a ícones da música rock. Antes de Janis Joplin, o museu já havia realizado mostras dedicadas à trajetória de Rita Lee e Tina Turner.

 

De acordo com André Sturm, diretor-geral do MIS e curador da exposição, quando se pensa no final da década de 1960 e início dos anos 1970, na contracultura, no rock e na liberação sexual, a música e a figura de Janis são lembradas com destaque.

 

A exposição ocupa o primeiro piso do museu, oferecendo ao público uma ambientação cenográfica envolvente e psicodélica, que busca proporcionar uma experiência sensorial. São dez salas temáticas, cada uma inspirada em sentimentos e palavras que dialogam com a personalidade e carreira da artista.

 

“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”


 

Uma das salas, intitulada Amor Brasil, apresenta registros da visita da cantora ao país, ocorrida em 1970 durante o carnaval do Rio de Janeiro.

 

Segundo o diretor do museu, foram obtidos materiais referentes a essa passagem, como fotografias, vídeos e até um trecho de carta que Janis escreveu à mãe enquanto estava no Brasil. Ele destacou que a cantora ficou muito feliz durante sua estadia no país.

 

Trajetória e legado de Janis Joplin

 

Com voz marcante, rouca e poderosa, Janis Joplin nasceu em Port Arthur, no Texas, em 1943. Durante a adolescência, teve influência de nomes como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, cujas vozes contribuíram decisivamente para sua escolha de seguir carreira musical.

 

Durante o ensino médio, Janis se envolveu com a música folk em parceria com amigos e também dedicou-se à pintura. Frequentou a faculdade em Beaumont e Austin, mas demonstrou maior interesse pelas lendas do blues e pela poesia beat, o que acabou afastando-a dos estudos formais.

 

Ela abandonou a faculdade e, em 1963, mudou-se para São Francisco, estabelecendo-se no bairro de Haight-Ashbury, local associado ao consumo de drogas.

 

Nesse período, conheceu o guitarrista Jorma Kaukonen, que posteriormente integrou a banda Jefferson Airplane. Juntos, gravaram diversas canções acompanhados por Margareta, esposa do guitarrista, que tocava na máquina de escrever.

 

Após retornar ao Texas, Janis se matriculou como estudante de sociologia na Universidade Lamar, mas a vida na Califórnia a atraiu novamente. Em 1966, deu início à carreira musical que se estenderia por pouco mais de quatro anos.

 

Ela chamou atenção com sua voz contundente e emotiva ao se juntar à banda Big Brother and the Holding Company, um dos grandes nomes da cena psicodélica de São Francisco.

 

Com esse grupo, gravou dois álbuns considerados marcos: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968).

 

Logo em seguida, Janis seguiu carreira solo e lançou dois discos: I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), sendo este último lançado postumamente.

 

Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos de idade, em decorrência de overdose de heroína, poucos dias após a morte de outro ícone musical, Jimi Hendrix.

© Copyright 2025 - Porto Velho Notícias - Todos os direitos reservados