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Paranapiacaba mantém Festival do Cambuci vivo com patrocínio após corte de verba

A 21ª edição do evento, que ocorre neste fim de semana, destaca a gastronomia e o artesanato da fruta nativa, superando desafios de financiamento municipal.

18/04/2026 às 13:32
Por: Redação

A cidade de Paranapiacaba, localizada no interior de São Paulo, sedia neste fim de semana a 21ª edição do Festival do Cambuci, um evento que desde 2004 destaca a culinária local. Realizado em diversos pontos históricos do município, o festival reúne produtores que comercializam uma vasta gama de itens derivados do cambuci, uma fruta característica da Mata Atlântica e parte da alimentação indígena há séculos.

 

Cinthia Coelho, CEO da Eventos Paranapiacaba Oficial, empresa patrocinadora do festival, enfatizou que o público terá uma experiência gastronômica completa focada no cambuci. No espaço do Antigo Mercado, os visitantes encontram para degustação e compra produtos como sucos, licores, sorvetes, molhos e muitas outras criações culinárias. A celebração está programada para os dias 25 e 26 de abril.

 

O cardápio do festival não se limita ao cambuci, incluindo também pratos elaborados com goiaba e amora. Adicionalmente, o evento apresenta uma feira de artesanato no Galpão da Bica. Tanto as ofertas gastronômicas quanto os itens de artesanato são frutos do trabalho exclusivo de pequenos produtores locais.

 

“Todos os 21 expositores vivem do cambuci, exploram o cambuci. No artesanato, tem pessoas da região do Grande ABC, de São Paulo, mas todos são pequenos produtores. Não existe uma grande empresa,” explicou Cinthia.

 

Além de impulsionar o turismo e a economia da região, o festival desempenha um papel fundamental na preservação da memória do cambuci e da trajetória do próprio evento. O Cine Lyra, reconhecido como o segundo cinema mais antigo do Brasil, abriga uma mostra fotográfica que remonta às edições iniciais do festival. Para quem deseja aprofundar-se no tema, a Casa Multiuso oferece um panorama sobre a história da fruta e sua relevância cultural e ambiental.

 

A programação cultural inclui uma série de apresentações musicais, com destaque para o DJ Rodrigo Branco, que promete um repertório rico em brasilidades, e espetáculos de covers de renomados artistas como Rita Lee, Raul Seixas e Elvis Presley. No encerramento do evento, será realizada uma cerimônia de premiação no palco do Antigo Mercado, que reconhecerá os melhores pratos elaborados com cambuci.

 

Desafios e Manutenção do Festival

 

O Festival do Cambuci teve sua origem em uma iniciativa da prefeitura de Paranapiacaba, concebida para reavivar a gastronomia, a história e as tradições locais. Para viabilizar a comercialização dos produtos à base da fruta, foi estabelecida uma associação composta por pequenos produtores da região.

 

Ao longo do tempo, a popularidade do festival cresceu, culminando em sua integração à Rota do Cambuci. Este itinerário gastronômico abrange diversas cidades que cultivam a fruta, incluindo Santo André, São Bernardo e a capital, São Paulo.

 

Entretanto, nos últimos três anos, o evento enfrentou dificuldades financeiras devido à suspensão de repasses de verba por parte da prefeitura. O único suporte concedido pela administração municipal foi a permissão para uso do espaço sem a cobrança de licenças, o que quase levou à interrupção do festival.

 

Cinthia Coelho esclareceu que, sem o auxílio financeiro, a associação não teria condições de realizar o festival. “Quando a associação não teve mais ajuda, eles não conseguiriam fazer o evento. O evento tem custos com banda, estrutura e divulgação e eles não teriam condições de se manter, por serem microempreendedores”, detalhou a CEO.

 

A solução para assegurar a continuidade do evento foi a busca por um apoio da iniciativa privada. A Eventos Paranapiacaba Oficial então se prontificou a patrocinar e custear a realização do festival.

 

A CEO ressaltou a importância da união para a preservação do festival. “A gente se uniu para manter essa história viva. [...] São microempreendedores que estão alavancando a cultura local. São 21 famílias que tiram seus sustentos dali. Isso não pode morrer”, afirmou Cinthia.

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