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Alta de gasolina e alimentos eleva prévia da inflação para 0,89% em abril

Combustíveis e itens alimentícios lideram as altas e levam IPCA-15 ao maior patamar em dois meses

28/04/2026 às 18:19
Por: Redação

Em abril, o aumento nos preços de alimentos e combustíveis impactou o orçamento das famílias brasileiras e resultou em uma variação de 0,89% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial. Esse percentual supera o registrado em março, de 0,44%, e representa o maior avanço mensal desde fevereiro, que havia sido de 1,23%.

 

No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA-15 atingiu 4,37%. Entre abril de 2023 e março de 2024, o indicador estava em 3,9%.

 

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a apuração da prévia inflacionária é baseada no acompanhamento dos preços de nove grupos de produtos e serviços. Veja a seguir o desempenho de cada grupo e seu impacto em pontos percentuais (p.p.):

 

Alimentação e bebidas: 1,46% (0,31 p.p.)

 

Transportes: 1,34% (0,27 p.p.)

 

Saúde e cuidados pessoais: 0,93% (0,13 p.p.)

 

Habitação: 0,42% (0,07 p.p.)

 

Vestuário: 0,76% (0,04 p.p.)

 

Despesas pessoais: 0,32% (0,03 p.p.)

 

Artigos de residência: 0,48% (0,02 p.p.)

 

Comunicação: 0,48% (0,02 p.p.)

 

Educação: 0,05% (0,00 p.p.)

 

No segmento de alimentação e bebidas, a principal influência veio da alimentação consumida no domicílio, cujo índice acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril. Entre os itens com maiores altas estão:

 

Cenoura: 25,43%, Cebola: 16,54%, Leite longa vida: 16,33%, Tomate: 13,76% e Carnes: 1,14%.

 

A alimentação fora do domicílio também teve elevação, subindo 0,70% em abril, valor que corresponde ao dobro do registrado no mês anterior (0,35%).

 

O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, atribuiu uma das razões do aumento dos alimentos ao período de entressafra, e destacou:

 

“A menor produção de alguns itens, inclusive leite, tem pressionado o indicador”.


 

Crescimento dos combustíveis impulsiona transportes

 

Em relação ao grupo transportes, o principal fator de alta foi o reajuste nos combustíveis, cuja variação chegou a 6,06% no mês. Entre os 377 subitens monitorados pelo IBGE, a gasolina exerceu o maior peso sobre o IPCA-15, com aumento de 6,23% e impacto de 0,32 p.p. O óleo diesel também teve forte crescimento, subindo 16%, o que representou impacto de 0,04%.

 

Influência do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo

 

O mês de abril foi marcado pela intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que gerou consequências negativas para a indústria global de petróleo. A instabilidade no Estreito de Ormuz, ao sul do Irã, onde tradicionalmente circulava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do início das hostilidades, provocou bloqueios frequentes.

 

A redução da oferta de petróleo devido à situação no Oriente Médio resultou em elevação dos preços internacionais, o que impacta diretamente as commodities — como petróleo, gasolina e óleo diesel — negociadas globalmente. Por esse motivo, mesmo países produtores, como o Brasil, sentiram os efeitos no valor dos combustíveis.

 

Para conter a elevação dos preços dos derivados do petróleo, o governo brasileiro implementou medidas como isenção de impostos e concessão de subsídios tanto para produtores quanto para importadores.

 

Segundo Queiroz, da Apas, “um conjunto de ações adotadas para atenuar os efeitos da guerra sobre a economia doméstica têm apresentado ainda efeito diminuto, mas importante”.


 

Metodologia da prévia inflacionária e abrangência

 

O IPCA-15 segue metodologia semelhante à do índice oficial de inflação (IPCA), utilizado como parâmetro para a política de meta inflacionária do governo, que estipula um objetivo de 3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Os resultados de abril mantêm o país dentro desse limite.

 

A distinção entre IPCA-15 e IPCA está no período da coleta dos preços e na área de abrangência. A prévia é apurada e comunicada antes do encerramento do mês de referência. Para esta divulgação, o levantamento de preços ocorreu entre 18 de março e 15 de abril.

 

Ambos os índices consideram uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, sendo que o valor do salário mínimo atualmente corresponde a 1.621 reais.

 

Os preços monitorados pelo IPCA-15 abrangem 11 regiões: as áreas metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além das cidades de Brasília e Goiânia. Já o IPCA completo inclui ainda as capitais Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, totalizando 16 localidades. O resultado consolidado do IPCA referente a abril será conhecido em 12 de maio.

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