LogoPorto Velho Notícias

Irã e Hezbollah atribuem trégua no Líbano à força do Eixo da Resistência

Irã e Hezbollah creditam cessar-fogo a coalizão anti-Israel e pressão diplomática

17/04/2026 às 17:22
Por: Redação

A trégua alcançada no Líbano foi creditada pelo governo do Irã e pelo Hezbollah à articulação e capacidade de ação conjunta dos grupos que integram o chamado Eixo da Resistência, formado por organizações que se opõem à política adotada por Israel e pelos Estados Unidos no Oriente Médio.

 

A Casa Branca, por sua vez, buscou capitalizar o cessar-fogo anunciado, apresentando-o como fruto das iniciativas conduzidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo iraniano, contudo, já havia condicionado o prosseguimento das negociações com Washington à formalização de uma trégua no Líbano. Após o anúncio do fim dos confrontos, autoridades iranianas informaram sobre a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego de embarcações comerciais.

 

O Hezbollah detalhou em comunicado que realizou 2.184 operações militares ao longo de 45 dias de conflito com o exército de Israel, o que representa uma média de 49 ações diárias. Segundo o grupo, os ataques tiveram como alvo tanto as forças de ocupação israelenses presentes em território libanês quanto instalações militares localizadas em Israel e nos territórios palestinos sob ocupação, em áreas situadas até 160 quilômetros além da fronteira.

 

“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”, diz nota lida na TV Al-Manar, vinculada ao Hezbollah.


 

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, que lidera a delegação iraniana nas conversas com representantes dos Estados Unidos, declarou que o acordo de cessar-fogo foi conquistado em razão da resistência promovida pelo Hezbollah e da unidade do Eixo da Resistência.

 

“A Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo. Cabe à América recuar do erro de ‘Israel em primeiro lugar’. O cessar-fogo não foi senão resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência; e lidaremos com este cessar-fogo com cautela, e permaneceremos juntos até a verificação completa da vitória”, publicou Ghalibaf em rede social.


 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, também se pronunciou sobre a trégua, atribuindo-a às ações diplomáticas desenvolvidas por Teerã. Ele afirmou que, desde o início dos contatos com interlocutores regionais e internacionais, inclusive em Islamabad, o Irã defendeu reiteradamente a adoção de um cessar-fogo simultâneo abrangendo toda a região, com destaque para o Líbano.

 

Tensões recentes e reação de Israel

 

O governo israelense, chefiado por Benjamin Netanyahu, vinha anunciando planos de manter suas tropas no sul do Líbano até o rio Litani, situado 30 quilômetros além da fronteira. Na véspera do anúncio da trégua, Netanyahu informou ter orientado a continuidade das operações militares para assegurar o controle da cidade de Bent Jbel.

 

De acordo com o jornal The Times of Israel, ministros do gabinete israelense receberam a notícia do cessar-fogo com surpresa, tendo Netanyahu comunicado que a decisão foi tomada após solicitação de Donald Trump. Lideranças da oposição criticaram o governo, qualificando a trégua como “imposta” a Israel.

 

O portal Ynet, também de Israel, citou uma fonte das forças militares do país que afirmou que as tropas permaneceriam em território libanês, apesar do anúncio do cessar-fogo.

 

Conflito entre Israel e Hezbollah: contexto e histórico

 

A mais recente escalada da violência entre Israel e o Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah passou a atacar o norte israelense em apoio ao povo palestino, como resposta aos ataques realizados por Israel contra a Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, foi firmado um acordo para o cessar das hostilidades entre o grupo xiita libanês e as autoridades israelenses em Tel Aviv. No entanto, o pacto jamais foi plenamente respeitado por Israel, que seguiu promovendo incursões militares no território libanês.

 

Após o início de ações militares contra o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah voltou a lançar ataques contra Israel, justificando os bombardeios como retaliação tanto às violações do cessar-fogo quanto ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, foi anunciado o cessar-fogo em território iraniano, ainda assim, Israel manteve operações militares no Líbano, descumprindo o acordo negociado desta vez com a participação do Paquistão.

 

O Irã vinha condicionando o prosseguimento das negociações com os Estados Unidos à inclusão do Líbano na trégua, sendo que uma segunda rodada de conversas entre Teerã e Washington estava prevista para acontecer nos dias seguintes.

 

Origem do enfrentamento

 

O embate envolvendo Israel e Hezbollah remonta aos anos 1980, quando a milícia xiita foi criada como reação à invasão israelense no território libanês, que tinha o objetivo de perseguir grupos palestinos refugiados no país.

 

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar as forças israelenses do Líbano. Posteriormente, o grupo se transformou também em partido político, conquistando assentos no Parlamento e participando da formação de governos libaneses.

 

O Líbano sofreu novos ataques do governo de Israel nos anos de 2006, 2009 e 2011.

© Copyright 2025 - Porto Velho Notícias - Todos os direitos reservados