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Lula critica ameaças de Trump a outros países e defende respeito internacional

Presidente defende soberania e alerta para riscos de conflitos globais por ameaças dos EUA

17/04/2026 às 00:29
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou críticas à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no que se refere ao tratamento dispensado a países como Irã, Cuba e Venezuela. Lula destacou que nenhuma nação tem autorização para ameaçar outra, ressaltando a necessidade de respeito às soberanias e integridades territoriais.

 

Segundo o presidente brasileiro, a condução do líder norte-americano em relação a questões internacionais não encontra respaldo na Constituição dos Estados Unidos, tampouco na Carta das Nações Unidas ou na ordem global. Durante entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, Lula enfatizou que, mesmo com a relevância dos Estados Unidos no cenário mundial, a Casa Branca não detém prerrogativa para impor ameaças a países que mantenham discordância com suas políticas.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

A recente ameaça feita por Trump ao Irã, de eliminar uma civilização milenar caso o país não aceitasse as condições impostas pelos Estados Unidos para encerrar conflitos no Oriente Médio, foi mencionada por Lula como exemplo de conduta que extrapola os limites do direito internacional.

 

O presidente do Brasil também abordou as pressões e intervenções direcionadas por Trump tanto a Cuba quanto à Venezuela. Para Lula, é indispensável que nenhuma nação viole a soberania dos demais países.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

Lula observou ainda que há uma carência de lideranças políticas comprometidas com a responsabilidade coletiva sobre o planeta, sublinhando que a importância e o poder de determinadas nações exigem delas maior responsabilidade em preservar a paz e a estabilidade mundial.

 

Durante a entrevista, o presidente brasileiro comentou sobre o risco potencial de um conflito global, caso a política de intervenções norte-americanas prossiga. Ele alertou que a eclosão de uma nova guerra mundial teria consequências ainda mais devastadoras do que a Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Indagado sobre a possibilidade concreta de uma guerra deste porte, Lula afirmou que, se persistir a ideia de que líderes podem agir de maneira arbitrária e agressiva contra outros países, esse cenário pode se tornar realidade.

 

No tocante a Cuba, Lula condenou o agravamento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos ao país caribenho, que já enfrenta embargo econômico há quase setenta anos. O presidente brasileiro classificou Cuba como uma nação de valor para o Brasil e questionou a permanência de sanções tão prolongadas. Ele também criticou a falta de atenção internacional ao Haiti, que atravessa uma prolongada crise política, econômica e social, marcada pelo controle de gangues armadas em grande parte da capital, Porto Príncipe.

 

Lula reforçou que Cuba deveria ter oportunidades para aprimorar suas condições internas, questionando a viabilidade de sobrevivência de uma população privada de alimentos, combustível e energia devido a restrições internacionais.

 

No que diz respeito à Venezuela, Lula relatou que a postura do governo brasileiro é a defesa da realização das eleições previstas para julho de 2024, com o compromisso de aceitar o resultado, permitindo que o país vizinho retome a estabilidade e a paz. Lula criticou a ideia de que os Estados Unidos possam gerir os destinos venezuelanos.

 

Sobre a taxação imposta pelos Estados Unidos a exportações brasileiras entre abril e agosto de 2025, Lula lembrou que, em encontro com Trump, ressaltou que não buscava alinhamento ideológico, mas sim a defesa dos interesses nacionais em relação aos Estados Unidos e vice-versa. Após negociações entre Brasília e Washington em novembro de 2025, houve a retirada da tarifa de 40% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo café e carne. Em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a cobrança adicional de tarifas instituída por Trump sobre dezenas de países, em resposta a demandas de empresas norte-americanas afetadas pelas medidas.

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